Na floresta amazônica, árvores e plantas liberam continuamente substâncias químicas que se espalham pela atmosfera. Algumas reagem em poucos segundos. Outras participam de processos que influenciam a formação de partículas em suspensão e de nuvens. São fenômenos invisíveis, que exigem instrumentos sofisticados para serem observados. Nora Zannoni dedicou boa parte de sua trajetória científica a investigar essas substâncias na própria floresta, acompanhando seu comportamento e as transformações que sofrem.
Sua pesquisa parte de uma pergunta aparentemente simples: o que acontece com as substâncias químicas depois que são liberadas no ar? A resposta varia conforme o ambiente. Uma floresta tropical, uma cidade industrializada e uma sala com algumas pessoas apresentam condições bastante distintas. Em todos esses lugares, porém, ocorrem reações que alteram continuamente a composição do ar.
Essa relação é o ponto de partida do seminário Reactive Organic Compounds in the Atmosphere and Indoor Air: From the Amazon Rainforest to the Human Body, que Nora Zannoni apresentará no Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte do ciclo de encontros científicos promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Química.
A conferência será dedicada aos compostos orgânicos voláteis, substâncias liberadas pela vegetação e pelas atividades humanas que, ao reagirem com outros componentes da atmosfera, podem contribuir para a formação de poluentes. Com base em sua experiência em diversas campanhas de pesquisa, Zannoni mostrará como essas reações afetam a qualidade do ar e quais são suas consequências para a saúde e o clima.
Um dos aspectos mais curiosos desse trabalho diz respeito ao próprio corpo humano. Pesquisas das quais Zannoni participou demonstraram que, na presença de ozônio, certas substâncias encontradas na superfície da pele podem desencadear reações químicas no ar ao nosso redor. Isso significa que o corpo também participa da química do ambiente em que se encontra, alterando sua composição por meio de processos que passam despercebidos no cotidiano.
O interesse do seminário está justamente na aproximação entre fenômenos que costumam ser estudados separadamente. As observações realizadas na Amazônia ganham outra dimensão quando relacionadas às pesquisas sobre ambientes internos. Esse diálogo ajuda a compreender como a composição do ar depende dos seres vivos e das características dos espaços que ocupamos. O encontro também abrirá espaço para o intercâmbio de conhecimentos entre pesquisadores e estudantes da UFRJ, com a possibilidade de estabelecer futuras colaborações científicas.
Nora Zannoni
Nora Zannoni é pesquisadora do Instituto de Ciências da Atmosfera e do Clima do Conselho Nacional de Pesquisas da Itália. Sua trajetória reúne experiências em instituições internacionais e trabalhos de campo em diferentes ambientes, sempre com o interesse voltado às substâncias liberadas na atmosfera e às reações químicas que elas provocam.
Concluiu o doutorado em Química Atmosférica na Universite Paris XI, onde se dedicou ao estudo experimental da reatividade atmosférica na região do Mediterrâneo. Nesse período, utilizou técnicas avançadas de espectrometria de massas para investigar processos químicos que dificilmente poderiam ser observados por outros meios.
Mais tarde, no Max Planck Institute for Chemistry, participou do projeto Atto, Amazonian Tall Tower Observatory, realizando medições das emissões de compostos orgânicos voláteis na floresta amazônica. O trabalho desenvolvido no Brasil aprofundou seu conhecimento sobre as relações entre vegetação e atmosfera, permitindo observar diretamente como as substâncias emitidas pela floresta participam das transformações químicas do ar.
Suas pesquisas passaram também a contemplar os ambientes internos, com estudos sobre a influência das emissões do corpo humano na composição da atmosfera desses espaços. Entre os trabalhos dos quais participou está The Human Oxidation Field, publicado na revista científica Science, que descreve a formação de um campo de oxidação nas proximidades do corpo humano.
Atualmente, integra o projeto europeu Actris, Aerosol, Clouds and Trace Gases Research Infrastructure, no qual investiga os precursores gasosos dos poluentes atmosféricos na Planície do Pó, no norte da Itália. Seu trabalho continua percorrendo ambientes muito diferentes, da floresta tropical às áreas urbanas, chegando às reações químicas que acontecem a poucos centímetros da nossa pele.
Realização:
Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Istituto Italiano di Cultura do Rio de Janeiro
Da Floresta Amazônica à Respiração Humana: Nora Zannoni na UFRJ
Data: 6 de novembro de 2026
Horário: 10h
Local: Instituto de Química da UFRJ – Av. Athos da Silveira Ramos, 149 / Bloco A 7º andar – Cidade Universitária, Rio de Janeiro (RJ)
Entrada: Franca